Era um dia de sábado e fazia 09 graus. Muito frio.
Levantei cedo, tomei um banho quentinho — ainda bem que era chuveiro elétrico. Vesti uma roupa emprestada, uma jaqueta também emprestada, e fui assim mesmo, com a cara, a coragem e a fé. Sozinha.
Pedi um Uber, coloquei o endereço e me joguei. O caminho era complicado, atravessar São Paulo nunca é simples, mas deu tudo certo. O motorista foi um anjo. Viu que eu estava nervosa e, mesmo precisando dar uma volta do tamanho do mundo, me deixou exatamente na porta do evento. Disse que queria me ver segura. E isso, para mim, já era um sinal de que eu estava no caminho certo.
Fui para uma imersão em Neuromarketing. Estava começando do zero. Meus colegas pareciam tão avançados, tão seguros. Eu, não. Eu tinha parado de estudar há anos. Meu coração estava agitado e minha mente também. Mas não desisti. Me sentei. Respirei. E ouvi.
Com o tempo, fui relaxando. Fiz amigos. Dois colegas almoçaram comigo e disseram que adoraram meu brilho. A gente sorriu muito. E eu aprendi. Nossa, como eu aprendi. O dia voou.
Quando terminei, já era sete da noite. Peguei um Uber e levei mais de uma hora pra voltar pro lugar onde eu estava hospedada. Cheguei às dez da noite, exausta fisicamente. Mas com a alma leve e preenchida.
Porque não foi só um curso. Foi um recomeço.
No meio das anotações, uma frase ecoava:
“Talvez eu esteja tentando ensinar rotina ao mundo, quando na verdade é a minha que pede cuidado.”
Foi como se meu próprio cérebro dissesse: “Pare de decorar conceitos e comece a escutar seus circuitos invisíveis.”
Eu me vi. Em silêncio. E pela primeira vez, entendi o que era neuroplasticidade de verdade: era a minha fé se encontrando com a minha ciência. Era meu corpo, cansado, entendendo que também precisava reaprender a viver sem pressa.
Voltei dessa imersão com anotações sim. Mas voltei, acima de tudo, com uma pergunta: “E se rotina for reza? E se repetir for uma forma de orar com o corpo?”
Desde então, recomecei. Não com grandes revoluções. Mas com uma nova lente. Uma nova linguagem interna. Uma vontade de transformar pequenos gestos em vitórias.
Porque rotina com sentido não é sobre controle. É sobre cura.
E hoje, com essa crônica, dou boas-vindas às mulheres que, como eu, estão recomeçando em silêncio.
Aqui no Mim de Forma, cada texto vai ser um passo, um sussurro, uma nova neuroassinatura.
Reprogramar não é esquecer. É lembrar diferente.
Bem-vinda ao seu recomeço.